ENTRE MANDALAS, DIÁRIOS, LEITURA E TERAPIA

A arte terapia e suas ramificações há tempos trazem suas contribuições ao equilíbrio emocional, mental e cognitivo, auxiliando em questões como; autoestima, confiança, segurança e solidão. Reconhecer o próprio corpo e a si mesmo num enredo externo, ou ter momentos de silêncio e conexão interior em meio ao caos das atividades diárias pode ser mais simples do que parece.

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A BIBLIOTERAPIA

A leitura tem vindo num processo de autoconhecimento, através de um enredo com personagens que vivem questões que também assolam o leitor, este pode encontrar  as respostas para suas próprias angústias, identificando e decodificando mensagens capazes de proporcionar reflexões sobre outras perspectivas num movimento aparentemente contraditório de afastamento – aproximação do leitor a obra/personagem.  Conhecida como biblioterapia , tal prática tem ganhado força entre os profissionais de psicologia, psiquiatria, assistentes sociais, profissionais da educação, coaching e outros.

A leitura e outras atividades artísticas já tiveram nos receituários pacientes entre a 1ª e 2ª Guerra mundial e em bases hospitalares.

CONFIANÇA NO PRÓPRIO CORPO E NO OUTRO

Em época de perfeição, encontrar quem esteja feliz  e satisfeito com a aparência é uma tarefa difícil. O corpo que tem um lugar de destaque, também traz em si a vergonha. A biodança propõe a descoberta do próprio corpo de maneira prazerosa e harmoniosa, saindo do corpo idealizado e seguindo na direção da  confiança em si e no outro, trabalhando o respeito, os limites, e a segurança.

A contraindicação, é a atenção que se deve ter para não confundir  os enredos com a própria vida, mas utilizá-los como ferramentas para um equilíbrio, autoconhecimento e crescimento pessoal.

AMBIENTES MÁGICOS QUE TOMAM FORMA

Da mesma maneira que a literatura infantil ajuda crianças a lidarem com seus medos e frustrações, situando-as ao que é certo e errado, ao que traz benefícios e prejuízos, a literatura adulta segue no mesmo viés.  As expressões artísticas sempre mostraram seu alto desempenho, fossem através das artes plásticas, escrita, leitura ou simplesmente os desenhos de colorir repletos de mandalas com imagens circulares, curativas para alma, de ambientes mágicos ou campestres limpando toda a mente da  ansiedade e corre – corre diário em busca de um lugar melhor ao sol.

 

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SUPERANDO O EROTISMO

Após “50 tons de cinza”, quem brilha agora é uma personagem real que chegou ao topo e caiu nas graças de uma nação. Já estava na hora de sair da toca do fictício e buscar inspiração na realidade.

E.L James sacudiu e resgatou leitores com seu conto de fadas moderno, recheado de erotismo e capítulos de ação, trazendo uma enganosa motivação para aqueles que viviam no piloto automático. As histórias tem este poder, de transportar o “espectador” para um universo ao qual ele pode muito mais do que o natural, inclusive possuindo atributos e vivenciando situações que em seu dia a dia não passariam. Para muitos, deixa de ser algo prazeroso para ser a toca do coelho da Alice e o caminho para a fuga .

Tivemos uma temporada de super-heróis, seres e histórias fantásticas, realidades paralelas que duraram bastante, reflexos não só de um público voraz por este tipo de literatura, mas também de uma sociedade caótica que prefere viver  tais histórias e trajar-se de seus personagens favoritos, amenizando a dor do mundo natural na  ” Terra do Nunca” .

Só a realidade é capaz de dar a dosagem necessária para cada indivíduo olhar para si e ver o potencial a sua volta, nada como uma história inspiradora para trazer a crença que as coisas não estão tão ruins, que a mudança é constante e o caminho sempre é para frente.

Temos encontrado um número maior de biografias nas prateleiras, mostrando a trajetória de personagens como o próprio leitor, deixando claro que a vida de cada um é muito mais interessante e construtiva  do que uma ficção. O livro Michelle Obama traz esta linha de vida, estímulo, coragem, valores. Num mundo duro, de pessoas duras.

#michelleobama #editoraobjetiva #amazon

Imagem relacionadaStoryPick/Divulgação

NÃO FALE COM ELA

Resultado de imagem para mulher em como dá a luz em coma                                                                                                                                                                                                                          Nova Gente

Os tempos têm mudando, mas as pessoas nem tanto.  Décadas e séculos podem trazer a ilusão do tempo em progressão, por vezes quando nos deparamos com casos de abusos relatados no passado como “milagres” de mulheres “semimortas” que davam a luz, entendemos bem o que isso quer dizer.  As regras estão sendo revisadas, para conter o “homem” que não aprendeu a conter-se.

A ARTE EM SEU PAPEL DE DISCUSSÃO

Em 1996 uma jovem que estava em coma, deu a luz num hospital no subúrbio de Nova York. Em 2015, um enfermeiro britânico foi acusado de violentar mulheres e crianças inconscientes que estavam sob seus cuidados, ele gravou e fotografou , registrando seu descompasso.  Em 2002, o cineasta Pedro Almodóvar  apresentou o filme Hable con Ella onde a história passa pelo  enfermeiro  (Benigno) e Marco ( escritor de guías turísticas) , ambos cuidam de mulheres em estado vegetativo e para Benigno, milagres acontecem, deve-se conversar com elas (pacientes) e desta maneira,  amor, morte e desejo se entrelaçam e o tal milagre acontece com a gravidez da paciente Alicia cuidada pelo enfermeiro Benigno. O filme percorre muitas questões, porém o abuso é o ponto auge do filme sendo a história inspirada em casos reais que ainda e seguem em várias partes do mundo.

Algumas regras começaram a  mudar no hospital de Phoenix (EUA)  onde o caso mais recente de um  nascimento advindo de uma mulher em coma a mais de uma década aconteceu,  enfermeiros não podem mais realizar suas tarefas em pacientes mulheres desacompanhados de uma colega de trabalho, esta é uma das medidas para garantir maior segurança.

Os tempos mudaram, a liberdade e autonomia cresceram e as falsas seguranças ampliaram-se por todas as partes, mas tudo isso também trouxe consequências ao bicho homem que se manteve selvagem aos próprios instintos e crescendo em seus distúrbios contemporâneos.

#pedroalmodovar #hableconella #cinema #ficção #blog #abuso #abusosexual

CONSTRUINDO REIS

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A presença masculina ainda é preponderante em nossa sociedade moderna e “igualitária”, a baixa estima de muitas mulheres não superou o tempo e somou às épocas de grande solidão, proporcionando a si como moeda de troca e a apropriação de seus talentos por homens.  É claro que os tempos mudaram e trouxeram melhores caminhos e oportunidades e é só por isso que podemos levantar discussões como a do filme : “The Wife” ( A esposa)  , do diretor Sueco,  Björn Runge.

Muitas mulheres carregam o medo de serem abandonadas por seus parceiros, de não serem escolhidas ou de simplesmente não chegarem a lugar nenhum. Tal condição coloca nas mãos de certos homens o talento e a vivacidade de mulheres que vivem a sombra e na sombra em troca de migalhas. É necessário convencer-se para seguir no escuro por anos. Numa entrevista ao canal Build Séries; a atriz e estrela do filme (Glenn Close) em resposta sobre sua preparação e interpretações faciais disse que precisou estudar até o ponto de se convencer, pois é justamente isso que muitas fazem, buscam respostas rápidas e plausíveis por eleições que acreditam não terem volta e se beneficiam delas num jogo de mão dupla.

A história está cheia de homens que se apropriaram da criação e talento de suas esposas, amantes ou simples desconhecidas. Você talvez pergunte se isso ainda  é algo tão presente, Svetlana Aleksiévitch , jornalista e Nobel de literatura de 2015 disse que quando começou a escrever sobre guerras ouvia comentários de que não devia uma mulher falar sobre este tema, pois as mulheres cabiam os poemas de flores e amores. Respondido?

O cenário está mudando, não podemos negar, porém as mulheres representam 5% dos prêmios (Nobel) entregues. O Brasil também conta com suas representantes que precisaram ocultar sua real identidade (Maria Quitéria)  e aquelas que insistiram ( Lygia Fagundes Telles – prêmio Camões /2005, Coelho Neto e Jabuti) sem esmorecer.

O que aprendemos com o magnífico filme, é o valor e o potencial feminino que deve ser somado e não ocultado, a coragem de ser mãe, esposa e profissional, não ouvir aqueles que não deram certo, não oferecer a sim mesma como moeda de troca, pois como é dito pela própria personagem Joan Castleman ( Glenn Close)  na mesa de jantar quando lhe é perguntado pelo rei qual sua atividade, ela responde:  – Eu construo Reis!

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#pandorafilmes #glennclose #thewife #BjörnRunge #MegWolitzer #lygiafagundestelles #cinema #oscar2019 #mulheres #literatura #premionobel

 

QUAL SUA NOTA DE HOJE?

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No colégio você era o popular, o nerd ou fazia parte do grupo dos excluídos? O que seus colegas de trabalho, amigos e família pensam sobre você faz diferença?

No passado o termo ganhar uma estrelinha marcava a boa conduta entre alunos dos anos iniciais e fundamentais, se você pensava que isso era coisa do passado, saiba que não só é atual como quizá futura. Após sair da vida acadêmica você continua sendo observado, mas nem sempre pontuado e menos ainda exposto, porém o app Uber resolveu escancarar o que pensa sobre seus clientes através daqueles que prestam seus serviços (motoristas).

O bom comportamento que deveria ser natural e adquirido no ambiente familiar ou no desenvolvimento social frente ao meio em que convive parece fora de moda e a recompensa/avaliação é determinante para uma boa conduta, tal qual um adestramento. O lugar na esteira rumo à etiqueta da padronização sobre quanto você vale pela sua pontuação já foi apresentado no 1º episódio da 3ª temporada de Black Mirror.

O grande olho que já não são as câmeras, mas os olhos humanos também tem suas falhas e seus maus dias, portanto, qual a valia de quem avalia?

O app separa o joio do trigo, num ato de segurança e assim, encontra os bons frente a tantos indivíduos grosseiros, agressivos e mal educados. Na avaliação  profissional  o serviço e presteza eram o foco, agora o pessoal e simpatia tomam a frente.  Dentre os significados da palavra medo está: “apreensão em relação a algo desagradável”, nos anagramas da palavra nos deparamos com Demo – Doem. Evitar aquelas pessoas as quais  são desagradáveis associado ao reconhecimento da própria falta de imposição e respeito toma  forma e regras para que tratemos apenas com os bonzinhos e punamos os que nos parecem difíceis.

FALTA IDENTIDADE E HEROIS

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Do alto olho a cidade enquanto a TV segue com o caos no mundo, e por vezes os divide por regiões. É natural minha preocupação com um futuro de símbolos tão estupidamente reproduzidos dia após dia.

Para Cazuza, seus heróis morreram de Overdose e hoje…

Atentamente a criança deitada em sua cama ouve a história contada e acompanha, pela imaginação ou pelas cores que ganham formas no livro a jornada do herói  ( se for menino) ou os alertas para princesa (se for menina). Algo característico dos séculos XVIII e XIX que tiveram suas mudanças para o século XXI e levantam dúvidas sobre quem são esses heróis frente a uma geração canguru que nada conquista, e se algo heroico os toma são pelas adversidades da vida que não dão trégua ou por tragédias que batem a sua porta. As princesas levantaram a bandeira do gênero e foram à luta, trocando o conto de fadas pelo maravilhoso e passaram a buscar conquistas, espaço, reconhecimento e bens materiais, mas ainda competem pelo amor do “príncipe” como no baile da Cinderela e mutilam o próprio corpo em cirurgias, academias e bulimias para serem perfeitas e escolhidas.

A falsa transgressão

A transgressão imbecil gera um grupo de ; #somostodos…. , #issomerepresenta…, e tantas outras formas de falta de identidade, a necessidade de ser visto e ouvido. Os grupos são tão variados quanto a diversidade de gêneros que se apresentam hoje na sociedade e talvez, devêssemos voltar a biologia e manter apenas a categoria de Espécie, como animais que se relacionam virtualmente, expõem e criticam a moralidade.

A simples e primária comunicação de “corredor” tornou-se tão difícil que ter no perfil coleção de Espécies desobriga a relação e instaura-se o corredor da fuga pela incapacidade de se relacionar em grupos como espécie natural, “sem vestimentas ou acessórios” valendo-se cada vez mais de artifícios que os cataloguem como melhores, mesmo que o melhor seja o papel de vítima.

Da  imensidão cinza da onde estou  não vejo o símbolo heroico da transgressão capaz de trazer evolução, novas, melhores e válidos valores.

POLIGAMIA…, QUADRINHOS… E UMA HISTÓRIA NADA FICCIONAL

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Elizabeth era uma uma mulher firme , inteligente, objetiva e determinada, já  Olive, possuía a beleza de Afrodite e o frescor da juventude. William era apaixonado pelas duas, cada qual a sua maneira e formas que se completavam.

 

A liberdade da Sexualidade

Em plena década de 20 não era fácil para Elizabeth ser sufocada por dogmas de uma sociedade machista que a impediam de ser reconhecida como psicóloga e inventora brilhante que era, para o Olive  os anos 40 não condiziam com a liberdade que tinha numa família composta por duas esposas e um marido com filhos correndo pela casa.  Professor William Marston, homem respeitável, psicólogo, inventor  e professor em Harvard encontrou o caminho de sua teoria das relações através do fetichismo apresentado a suas esposas em jogos sexuais.

Enquanto Elizabeth trabalhava fora, munida de seu feminismo e valentia para manter a casa, Olive, sua outra metade, dedicava-se a casa e aos filhos , ambas frente ao seu tempo em suas escolhas, mas “submissas” o suficiente para ocultarem suas intimidades de uma sociedade que se agradava das belas e comportadas mentiras que Marston tanto trabalhou para revelar em seu detector de mentiras, estupidamente tomado por outros.

 

O alcance do lúdico nas histórias em quadrinhos

Professor William Marston compreendeu que através do lúdico poderia educar social e historicamente, seus estudos e observações aliados ao desejo e apoio de suas esposas para uma sociedade que reconhecesse o poder da mulher foi capaz de unir as duas mulheres de sua vida e revelar suas  maravilhas através uma grande amazona.

O filme : Professor Marston e as mulheres-maravilhas, é para as feministas, mas também para os amantes de quadrinhos e por que não para todos aqueles que gostam de uma boas história real com cara de ficção.