QUAL SUA NOTA DE HOJE?

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No colégio você era o popular, o nerd ou fazia parte do grupo dos excluídos? O que seus colegas de trabalho, amigos e família pensam sobre você faz diferença?

No passado o termo ganhar uma estrelinha marcava a boa conduta entre alunos dos anos iniciais e fundamentais, se você pensava que isso era coisa do passado, saiba que não só é atual como quizá futura. Após sair da vida acadêmica você continua sendo observado, mas nem sempre pontuado e menos ainda exposto, porém o app Uber resolveu escancarar o que pensa sobre seus clientes através daqueles que prestam seus serviços (motoristas).

O bom comportamento que deveria ser natural e adquirido no ambiente familiar ou no desenvolvimento social frente ao meio em que convive parece fora de moda e a recompensa/avaliação é determinante para uma boa conduta, tal qual um adestramento. O lugar na esteira rumo à etiqueta da padronização sobre quanto você vale pela sua pontuação já foi apresentado no 1º episódio da 3ª temporada de Black Mirror.

O grande olho que já não são as câmeras, mas os olhos humanos também tem suas falhas e seus maus dias, portanto, qual a valia de quem avalia?

O app separa o joio do trigo, num ato de segurança e assim, encontra os bons frente a tantos indivíduos grosseiros, agressivos e mal educados. Na avaliação  profissional  o serviço e presteza eram o foco, agora o pessoal e simpatia tomam a frente.  Dentre os significados da palavra medo está: “apreensão em relação a algo desagradável”, nos anagramas da palavra nos deparamos com Demo – Doem. Evitar aquelas pessoas as quais  são desagradáveis associado ao reconhecimento da própria falta de imposição e respeito toma  forma e regras para que tratemos apenas com os bonzinhos e punamos os que nos parecem difíceis.

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FALTA IDENTIDADE E HEROIS

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Do alto olho a cidade enquanto a TV segue com o caos no mundo, e por vezes os divide por regiões. É natural minha preocupação com um futuro de símbolos tão estupidamente reproduzidos dia após dia.

Para Cazuza, seus heróis morreram de Overdose e hoje…

Atentamente a criança deitada em sua cama ouve a história contada e acompanha, pela imaginação ou pelas cores que ganham formas no livro a jornada do herói  ( se for menino) ou os alertas para princesa (se for menina). Algo característico dos séculos XVIII e XIX que tiveram suas mudanças para o século XXI e levantam dúvidas sobre quem são esses heróis frente a uma geração canguru que nada conquista, e se algo heroico os toma são pelas adversidades da vida que não dão trégua ou por tragédias que batem a sua porta. As princesas levantaram a bandeira do gênero e foram à luta, trocando o conto de fadas pelo maravilhoso e passaram a buscar conquistas, espaço, reconhecimento e bens materiais, mas ainda competem pelo amor do “príncipe” como no baile da Cinderela e mutilam o próprio corpo em cirurgias, academias e bulimias para serem perfeitas e escolhidas.

A falsa transgressão

A transgressão imbecil gera um grupo de ; #somostodos…. , #issomerepresenta…, e tantas outras formas de falta de identidade, a necessidade de ser visto e ouvido. Os grupos são tão variados quanto a diversidade de gêneros que se apresentam hoje na sociedade e talvez, devêssemos voltar a biologia e manter apenas a categoria de Espécie, como animais que se relacionam virtualmente, expõem e criticam a moralidade.

A simples e primária comunicação de “corredor” tornou-se tão difícil que ter no perfil coleção de Espécies desobriga a relação e instaura-se o corredor da fuga pela incapacidade de se relacionar em grupos como espécie natural, “sem vestimentas ou acessórios” valendo-se cada vez mais de artifícios que os cataloguem como melhores, mesmo que o melhor seja o papel de vítima.

Da  imensidão cinza da onde estou  não vejo o símbolo heroico da transgressão capaz de trazer evolução, novas, melhores e válidos valores.

POLIGAMIA…, QUADRINHOS… E UMA HISTÓRIA NADA FICCIONAL

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Elizabeth era uma uma mulher firme , inteligente, objetiva e determinada, já  Olive, possuía a beleza de Afrodite e o frescor da juventude. William era apaixonado pelas duas, cada qual a sua maneira e formas que se completavam.

 

A liberdade da Sexualidade

Em plena década de 20 não era fácil para Elizabeth ser sufocada por dogmas de uma sociedade machista que a impediam de ser reconhecida como psicóloga e inventora brilhante que era, para o Olive  os anos 40 não condiziam com a liberdade que tinha numa família composta por duas esposas e um marido com filhos correndo pela casa.  Professor William Marston, homem respeitável, psicólogo, inventor  e professor em Harvard encontrou o caminho de sua teoria das relações através do fetichismo apresentado a suas esposas em jogos sexuais.

Enquanto Elizabeth trabalhava fora, munida de seu feminismo e valentia para manter a casa, Olive, sua outra metade, dedicava-se a casa e aos filhos , ambas frente ao seu tempo em suas escolhas, mas “submissas” o suficiente para ocultarem suas intimidades de uma sociedade que se agradava das belas e comportadas mentiras que Marston tanto trabalhou para revelar em seu detector de mentiras, estupidamente tomado por outros.

 

O alcance do lúdico nas histórias em quadrinhos

Professor William Marston compreendeu que através do lúdico poderia educar social e historicamente, seus estudos e observações aliados ao desejo e apoio de suas esposas para uma sociedade que reconhecesse o poder da mulher foi capaz de unir as duas mulheres de sua vida e revelar suas  maravilhas através uma grande amazona.

O filme : Professor Marston e as mulheres-maravilhas, é para as feministas, mas também para os amantes de quadrinhos e por que não para todos aqueles que gostam de uma boas história real com cara de ficção.

 

FICÇÃO MELHOR QUE CERTAS VERDADES ESCRITAS

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Cobrança, uma arma mortífera apontada para a cabeça, cada indivíduo tem seu calcanhar de Aquiles e o cobro é ágil o suficiente para aproximar-se do limite e cruzá-lo a gargalhadas e loucura.

Provavelmente você já respondeu a perguntas ou viu-se em situações indagatórias que nem sempre estão acompanhadas da linguagem verbal, mas de expressões sobre; êxito profissional, alcances acadêmicos, viagens, cultura, etc. E se você é mulher não há como fugir…; relacionamentos, filhos, matrimônio, idade e mais todos os itens anteriores. Para não ficar de vítima vou além, pois este mundo é um cobrador carrasco e ninguém fica a salvo, nem mesmo os jovens que devem ser responsáveis, brilhantes, gentis, autossuficientes, sociáveis, no mínimo bilíngues, com diferentes habilidades e ainda serem felizes. As pobres criancinhas também não escapam, elas que já nascem conectadas  são representações precoces dos adolescentes acima, “mini adultos”.

É dispensável falar dos resultados de tantas frustrações aderidas de expectativas alheias, os meios de fuga e auto conexão entraram na moda e agora há que ser saudável, esportista, hippie, minimalista… Com discussões acaloradas onde todos têm direitos; são vítimas, são heróis, justificam, acusam, pregam, matam… o descontrole toma conta.

Personagens e situações loucas à moda Tarantino já não são tão distantes. O romance português “ Maria dos canos cerrados” de Ricardo Adolfo traz a história de uma mulher que vê suas expectativas profissionais desmoronarem, sua relação amorosa beirando  o amor e o ódio e propostas ardilosas  a rondarem, tudo muda depois de algumas noites num clube de tiro e Maria resolve comprar sua própria briga.

Mesmo com prateleiras lotadas por publicações biográficas e autobiográficas, as ficções ainda tem se aproximado muito mais das verdades do que supostas verdades escritas.

A ARTE QUE REFLE INDIVÍDUOS

No último mês tive a grata surpresa de conhecer o trabalho da companhia italiana : Teatro persona com a obra Macbettu enchendo  olhos e alma com tamanha dimensão artística e profissional.

O espetáculo, uma releitura de Macbeth de Shakesperare traz uma concepção ritualizada em língua sardenha com atuação 100% masculina ao rigor do estilo elisabetano.  O que o Teatro Persona mostra é o zelo pelo artístico vivo, ou seja , em movimento, com rigor e profissionalismo. Com a adoção dos preceitos do teatro de Grotowski  aliados a biomecânica e artes marciais no preparo físico, influências do teatro oriental e preparação vocal advindas da fonação e cantos gregorianos,  o resultado não poderia ser outro que não a excelência.

Nota-se claramente o comprometimento com a arte, trabalho pessoal, em grupo e nós, o público. Esta soma talvez explique os resultados das produções “artísticas” brasileiras (há exceções) duvidosas e por vezes medíocres. Algo me diz que os valores e compromissos artísticos brasileiros andam bem distantes dos citados a pouco e o público vai na lanterna da importância, pois os falsos ideais encabeçam os objetivos.

Filtro para não intoxicar

O trabalho físico apresentado em Macbettu mostra o intenso labor exigido para conectar-se com o outro. Conhecer a si, seu corpo e limites é fundamental para  projetar neste espaço vazio a aproximação e impacto intenso capaz de conter a respiração dos espectadores.  A isso chamo arte ( Técnica, habilidade humana natural ou adquirida para criar algo  estético a partir de emoções, percepções ou ideias) .

Acredito que não há falta de arte ou boa arte, mas sim de pessoas ao invés de personagens.

 

REDEMOINHO

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Relações e atitudes do passado onde transita a insensatez da infância e adolescência é capaz de provocar pontos de fugas incapaz de serem recuperados ou estabelecidos .

Destaque no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) o filme brasileiro, Redemoinho foi destaque  e não é  para menos , com poucos e profundos personagens e uma dramaturgia realista os quadros são pintados na tela e os personagens tem suas vidas moldadas e observadas ora por nós, espectadores, ora por eles mesmo, estas molduras podem ser janelas, portas ou simples aberturas ou pontes que fazem fotografias belíssimas. As fugas elegidas conscientes ou inconscientemente ( deficiência auditiva, loucura, estagnação ou mesmo a mudança de cidade) se cruzam nos trilhos do trem que corta a cidade, um símbolo de múltiplas interpretações.

O filme é uma adaptação do livro : “ O mundo inimigo –  Inferno Provisório vol. II”  de Luiz Ruffato e com direção do já conhecido na TV , mas estreante das telonas, José Luiz Villamarim.

Nada como a véspera de natal  para se encontrar com o passado trazendo pontos de tensão , diálogos pesados e uma narrativa agonizante que se arrasta e nos arrasta.

BARBIE, UMA GAROTA REBELDE?

Quando Ruth Handler observou sua filha Bárbara brincando com bonecas feitas de papel usando diferentes roupas também desenhadas e coloridas no papel, pensou que não bastavam bonecas que imitavam bebês, as garotas assim como sua filha buscavam uma representação do que seriam e como seriam seus futuros.

A boneca Barbie criada na década de 50 teve mais de 150 profissões, vestidas por diferentes estilistas e representou ícones do cinema e da música, em geral, mulheres fortes que estavam a frente do seu tempo e marcaram a história. A boneca representou  uma geração e acompanhou diferentes momentos da sociedade e em diferentes culturas.

Há poucas semanas o lançamento do segundo livro sob o título :  Histórias de ninar para garotas rebeldes 2  Favilli ,Elena / Cavallo, Francesca, ed.V & R que reforça a representação de “princesas” protagonizadas por mulheres reais conversou com o novo lançamento das bonecas Barbie. Histórias para ninar, traz uma das ideias presentes nos contos de fadas,  onde cabe ao ouvinte (criança/menina) reconhecer os obstáculos  e saber desde o início que o objetivo será alcançado, agregando confiança e  distinguir entre o certo e o errado e as consequências de uma má escolha que também fazem parte deste processo.

Talvez não seja por acaso que no mês de março a nova coleção das bonecas Barbie trouxeram estas mulheres reais e nem tão glamorosas para fazer parte do universo do brincar e do imaginar tão importantes para as meninas desta geração que sofrem de depressão e diversos complexos e distúrbios causadores do ”fim da linha” em casos conhecidos e recorrentes.

Trazer o lúdico para o dia a dia  com proximidade aos seus mundos de maneira real e coerente visando o desenvolvimento destas tem sido um desafio que com sorte temos tido o prazer de acompanhar, mesmo que a passos lentos e tímidos.

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